Geleira Thwaites pode elevar mais o mar do que se estimava, indica modelo apoiado pela NASA

Um modelo do JPL da NASA com a UC Irvine e o Dartmouth indica que a água do mar sob a geleira Thwaites, na Antártida, pode acelerar sua perda. O que significa ‘até o dobro’ e o que ainda não se sabe.

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Corte de uma borda de geleira: gelo claro sobre rocha escura, com filetes roxos brilhantes de água do mar entrando sob o gelo

Um novo modelo de computador indica que a geleira Thwaites, na Antártida, pode contribuir mais para a elevação do nível do mar até o fim deste século do que algumas estimativas anteriores. Em algumas simulações, a contribuição chegou a até o dobro das projeções atuais.

O modelo foi desenvolvido pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, na Califórnia, com a Universidade da Califórnia em Irvine e o Dartmouth College. O estudo foi publicado em 12 de outubro na revista Nature Communications, e a NASA falou sobre ele em 20 de outubro.

A ideia: uma zona, não uma linha

A Thwaites é uma geleira na Antártida. Boa parte do gelo dela está apoiada no terreno e, depois, passa a flutuar. O ponto em que o gelo deixa de se apoiar no chão e começa a flutuar se chama linha de aterramento.

Muitos modelos de manto de gelo tratam essa transição como uma fronteira nítida, uma única linha. O novo modelo a trata como uma zona de aterramento: uma área onde a água do mar pode penetrar por vários quilômetros sob um gelo que ainda está apoiado no chão, segundo a NASA.

Isso importa por dois motivos que o estudo descreve. As marés levantam o gelo nessa zona, o que pode criar instabilidades. E a água do mar que entra leva calor ao gelo apoiado, o que acelera o derretimento e pode desestabilizar a geleira mais do que uma linha única permitiria.

Mapa da Antártida colorido pela variação da altura do gelo, com uma área vermelho-escura à esquerda perto das geleiras Pine Island e Thwaites
Mapa da NASA com as mudanças na altura do manto de gelo da Antártida de 1985 a 2021. A área vermelho-escura à esquerda, perto das geleiras Pine Island e Thwaites, é onde o gelo é perdido mais rápido. O mapa vem de um estudo anterior da NASA, não do novo modelo da Thwaites. Imagem: NASA/JPL-Caltech

O modelo bate com o que os satélites veem?

Os pesquisadores testaram o modelo contra observações de satélite do recuo da geleira desde os anos 1990. Viram que incluir as zonas de aterramento melhorou a simulação. De acordo com a NASA, o modelo reproduziu os dados históricos quatro vezes mais de perto do que modelos que deixam essas zonas de fora.

O texto da NASA não diz quais satélites foram usados nem que medida de “proximidade” os pesquisadores aplicaram. Precisaríamos do artigo científico para responder.

Como ler o “até o dobro”

O número de destaque é fácil de interpretar mal. A NASA diz que, em algumas simulações, a contribuição da geleira para o nível do mar foi de até o dobro das projeções atuais. Isso não é uma previsão de que o mar vai subir duas vezes mais rápido, e não vale para todas as simulações.

O texto da NASA também diz que a geleira “pode” contribuir mais do que algumas estimativas anteriores. A redação é cuidadosa porque projetar o efeito de longo prazo de uma geleira é difícil. A própria NASA diz isso, citando a complexidade dos processos envolvidos.

O que o texto não informa

O texto da NASA não traz valores de elevação do nível do mar, nem em milímetros nem em metros. Não diz quais cenários de emissões foram usados nem com quais estimativas anteriores o modelo é comparado. Também não nomeia os pesquisadores, o modelo ou quem financiou.

Parte da imprensa que vimos nos resultados de busca traz números específicos. Não abrimos essas reportagens nem o artigo científico, então não os repetimos aqui. Essa mesma cobertura costuma chamar a Thwaites de “geleira do juízo final”, um rótulo que evitamos porque diz mais sobre drama do que sobre ciência.

Por que isso importa

Os pesquisadores dizem que o modelo pode dar informação mais confiável sobre o comportamento das geleiras, o que, por sua vez, poderia ajudar o planejamento das regiões costeiras mais expostas à alta do mar. Isso é uma esperança declarada, não um resultado: um modelo melhor, por si só, não diz a uma cidade quanta água esperar.

Por ora, a conclusão útil é estreita. Um modelo apoiado pela NASA que representa a base da geleira de forma mais realista combina melhor com as observações passadas e, em algumas rodadas, aponta uma contribuição maior para o nível do mar. Se outros modelos reproduzem isso, e como são os números no artigo, são as próximas coisas a conferir. Atualizaremos este texto quando o lermos.

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