Artemis II: o que os astronautas viram na Lua, segundo o relatório da NASA

A NASA publicou as primeiras descobertas científicas do sobrevoo da Artemis II: cinco clarões de impacto muito fracos, um eclipse de 54 minutos e as cores da superfície lunar.

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Borda curva da Lua com a Terra em forma de crescente se pondo atrás

Seis meses depois de quatro astronautas darem a volta na Lua, a NASA publicou o que eles viram. O Relatório Científico Lunar Preliminar da Artemis II, divulgado em 7 de outubro, reúne fotografias, observações faladas, desenhos e anotações da tripulação, além de um grande arquivo de dados que inclui material que não era público durante a missão.

As descobertas de destaque são pequenas e sutis: cinco clarões muito fracos, um eclipse longo e uma paleta de cores da superfície. Veja o que elas indicam.

A missão em resumo

A Artemis II levou Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, ao redor da Lua. Foi a primeira vez em mais de 50 anos que pessoas chegaram perto da Lua, segundo a Science News. O sobrevoo lunar aconteceu em 6 de abril de 2026, com maior aproximação a cerca de 4.067 milhas (aproximadamente 6.500 km) da superfície.

A tripulação passou cerca de sete horas perto da Lua. Diferentemente de uma missão de pouso, eles não desceram; o que podiam fazer era olhar, fotografar e descrever.

Cinco clarões no escuro

Os astronautas viram cinco clarões muito fracos na Lua, a cerca de 46.000 milhas (aproximadamente 74.000 km) de distância. A NASA diz que as rochas que chegaram tinham no máximo algumas polegadas de largura. O Universe Today fala em no máximo 5 cm, estimados pelo brilho.

A Science News, que cita a cientista planetária Jennifer Heldmann, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, vai além: os impactores pesavam cerca de 8,5 gramas e tinham pouco mais de 4,5 cm de largura, mais ou menos o tamanho de uma bola de golfe. Heldmann disse que a tripulação provavelmente bateu o recorde dos menores meteoroides já vistos, a olho nu, atingindo a Lua. As crateras devem ter menos de um metro de largura, pequenas demais para as câmeras do satélite Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA.

Por que isso importa? Observações diretas ajudam a calcular com que frequência esses impactos ocorrem, o que pesa na hora de proteger futuras bases lunares. Heldmann estimou que a chance de um impacto perigoso durante uma estada de duas semanas na superfície é menor que 1 em 10 milhões.

Um eclipse de 54 minutos

Durante o sobrevoo, a Lua bloqueou o Sol por 54 minutos. A tripulação aproveitou para observar a atmosfera externa do Sol, a coroa, além de poeira interplanetária, estrelas e planetas. Koch também descreveu como a Terra aparecia de lá: “the Moon is a light sponge and the Earth is a light mirror” (“a Lua é uma esponja de luz e a Terra é um espelho de luz”), disse, segundo o Universe Today.

Lua escura cercada por um brilho fraco, com a asa de painel solar da Orion e estrelas ao redor
O eclipse visto por uma câmera numa das asas de painéis solares da Orion. Cientistas verificam se o brilho vem da luz zodiacal, da coroa solar ou das duas. Imagem: NASA

A tripulação também estudou o terminador, a linha entre o dia e a noite, onde a luz rasante realça o relevo. Glover o chamou de “just fantastic” (simplesmente fantástico). A Science News observa que a luz ali lembra o que os astronautas podem ver perto do polo sul da Lua.

Borda curva da Lua com crateras iluminadas em ângulo baixo e sombras longas
O terminador, onde a luz do Sol toca a superfície de raspão, em foto da tripulação da Artemis II. Imagem: NASA

As cores da Lua

A olho nu a superfície parece cinza, mas a tripulação relatou tons de cinza, preto, marrom, bege, branco, verde e azul. A NASA liga essas cores a materiais:

Cor vistaO que sugere
AzulRocha vulcânica rica em titânio
MarromTeores variados de ferro
VerdeVidro vulcânico ou vidro formado por impactos

As observações foram comparadas com dados de sondas em órbita, entre elas o Lunar Reconnaissance Orbiter, o que ajuda a situar o que a tripulação viu na geologia da Lua.

O que deu certo e o que não deu

As lições da equipe de ciência são tão interessantes quanto as descobertas. As câmeras não foram calibradas antes do voo, e as janelas ficaram chamuscadas na reentrada, então os pesquisadores não conseguem recriar por completo como elas afetaram as fotos. Formar duplas, com dois astronautas nas janelas e dois falando com o controle da missão, produziu ciência melhor. Em futuras missões de superfície, em que os trajes dificultam escrever, os registros de áudio descritivos serão ainda mais importantes, segundo a Science News.

Onde encontrar os dados

A NASA tornou o material público. O relatório científico preliminar é um PDF de 137,11 MB, e há um relatório de operações de 36,69 MB e um guia de dados de 7,93 MB. As imagens estão em um álbum online, o áudio está em uma biblioteca e o conjunto completo de dados está no Sistema de Dados Planetários da NASA.

O que vem a seguir

A Artemis IV, prevista para 2028, deve ser o primeiro pouso tripulado desde a Apollo, informa a Science News. O relatório da Artemis II vai orientar como essa tripulação observa e registra o que vir.

Lemos a página-resumo da NASA, não o relatório completo, então números como a massa dos impactores dependem do relato da Science News. Vamos atualizar este texto se o relatório completo mudar algum deles.


Imagens da NASA, usadas com finalidade editorial. O uso não indica apoio da NASA ao Ctrl + Alt News.

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