Na quarta-feira, 18 de novembro, às 5h16 no horário de Nova York (7h16 em Brasília), a Voyager 1, da NASA, chegará a um dia-luz de distância da Terra. A partir desse momento, um comando de rádio enviado da Terra levará um dia inteiro para chegar, e a resposta da sonda levará outro para voltar.
É um número redondo, não um evento científico, mas ele ajuda a enxergar a escala da missão. Veja o que é um dia-luz, o que a Voyager 1 faz lá fora e por quanto tempo ela pode continuar.
O que é um dia-luz
Um dia-luz é a distância que a luz percorre em 24 horas: 25.902.068.356 km, ou 16.094.799.096 milhas, segundo a NASA. A Voyager 1 estará a cerca de 26 bilhões de quilômetros, mais de quatro vezes a distância do Sol a Plutão, observa a Science News.
Para comparar, a NASA diz que a luz leva cerca de 1,3 segundo para ir da Lua à Terra e cerca de 8 minutos e 20 segundos para vir do Sol. O marco da Voyager 1 é de um dia.
Uma sonda de 1977 ainda em viagem
A Voyager 1 foi lançada em 5 de setembro de 1977, de Cabo Canaveral, na Flórida, em um foguete Titan IIIE-Centaur. A NASA a classifica como missão estendida. É o objeto feito por humanos mais distante da Terra.
Sobre a velocidade, as páginas da própria NASA divergem: o texto fala em quase 38.000 mph (61.000 km/h), enquanto a legenda de uma foto diz cerca de 35.000 mph (56.000 km/h). A página da missão ainda traz uma distância e uma velocidade de agosto de 2024, então não temos um número atual confiável para nenhum dos dois.
A sonda cruzou a heliopausa, a borda da bolha de partículas e de campo magnético do Sol, em 25 de agosto de 2012, a cerca de 18 bilhões de km do Sol. Foi a primeira nave a sair da heliosfera e medir o ambiente além dela. Antes, em dezembro de 2004, ela chegou ao choque de terminação e entrou na heliosfera exterior.
O que ela ainda mede
As câmeras da Voyager 1 foram desligadas em 1990, logo depois da foto “Pale Blue Dot” (o “Pálido Ponto Azul”) da Terra, para poupar energia. Carl Sagan convenceu os líderes da missão a fazer essa imagem, lembra a Science News.
A sonda ainda mede campos magnéticos e partículas. Para esticar a energia, engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA desligaram um instrumento em 17 de abril. A NASA não diz qual. A energia vem de três geradores de radioisótopos que produziam cerca de 158 watts cada no lançamento e que enfraquecem com o tempo. Cientistas estimam que a energia acabe em 10 a 15 anos, informa a Science News, e depois disso a Voyager 1 não poderá mais enviar dados.
Perguntas sobre a borda do Sistema Solar
A fronteira não é uma linha nítida. O físico Jeewoo Park, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, disse à Science News que a heliopausa “is not very sharp or very thin” (“não é muito nítida nem muito fina”). A intensidade do campo magnético e a densidade de partículas ao redor da Voyager 1 deram picos quatro vezes, a última em meados de 2020, e ninguém sabe por quê.
Os cientistas também não sabem onde começa o espaço interestelar puro nem qual é a forma da heliosfera. As propostas vão de um cometa a uma esfera e até um croissant. Duas outras naves podem ajudar: o Interstellar Boundary Explorer, lançado em 2008, e a Interstellar Mapping and Acceleration Probe, lançada em 2025.

Jamie Rankin, física da Universidade de Princeton, descreveu os dados como vindos de lugares que “nobody’s ever explored before” (que ninguém jamais explorou). Linda Spilker, cientista-chefe da Voyager no JPL, diz que a missão é “multi-generational” (multigeracional).
Uma mensagem para quem a encontrar
Cada Voyager leva um Disco de Ouro, um disco de cobre banhado a ouro de 30 cm. A NASA diz que ele traz saudações em 55 idiomas, 35 sons da Terra, cerca de 90 minutos de música e 115 imagens.

O próximo encontro da Voyager 1 com uma estrela está muito distante. A Science News diz que ela passará perto de Gliese 445 em cerca de 44.000 anos. A Voyager 2 chegará a menos de 700 dias-luz de Ross 248 em cerca de 42.000 anos.
O que acontece em 18 de novembro
Nada visível muda às 5h16 (horário de Nova York). A sonda continuará enviando suas medições, cada uma com quase um dia de atraso. A NASA faz uma contagem regressiva até o momento na página da missão, atualizada pela última vez em 15 de outubro.
Não temos da NASA uma velocidade ou uma distância atuais, e a estimativa de energia é da Science News. Vamos atualizar este texto depois do marco.
Imagens da NASA, usadas com finalidade editorial. O uso não indica apoio da NASA ao Ctrl + Alt News.





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