Telescópio Swift, da NASA, encerra a missão após quase 22 anos: o que descobriu e o que vem agora

O observatório Swift, da NASA, fez a última observação e deve reentrar na atmosfera em semanas. O que ele descobriu em quase 22 anos, por que caiu e o que acontece com a astronomia de resposta rápida.

Ctrl+Alt Ciência 5 min
Um pequeno satélite observatório com revestimento dourado em órbita sobre o horizonte brilhante da Terra, com uma explosão de luz roxa ao fundo e uma linha pontilhada descendo em direção à atmosfera

O Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, encerrou a missão científica. A espaçonave fez a última observação em 20 de outubro, e a NASA diz que ela deve reentrar na atmosfera nas próximas semanas.

O Swift foi construído para flagrar as explosões de raios gama, as mais poderosas do cosmo. Deveria funcionar por dois anos e durou mais de dez vezes isso. Veja por que ele caiu, o que fez e o que acontece com o tipo de astronomia que ele tornou possível.

Por que acabou

Todo satélite em órbita baixa da Terra sofre arrasto da atmosfera rarefeita. A atividade solar recente aumentou esse arrasto sobre o Swift, e o observatório começou a descer rápido, segundo a NASA.

Conceito artístico do observatório Swift em órbita sobre o topo das nuvens da Terra, com corpo revestido de dourado e painéis solares escuros
Conceito artístico do observatório Swift, da NASA, em órbita. Imagem: Goddard Conceptual Image Lab, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

Uma missão de serviço de alto risco e resposta rápida deveria elevá-lo a uma órbita mais alta. Ela terminou em agosto sem tentar elevar o observatório. O Swift retomou então as observações, que a equipe tinha pausado para reduzir o arrasto e mantê-lo mais tempo em órbita para a missão de elevação. Desde então ele observou centenas de alvos, de restos de explosões estelares a buracos negros supermassivos ativos e cometas do nosso Sistema Solar.

Observar aumentou o arrasto, e o Swift voltou a descer rápido. Em 20 de outubro chegou a 171 milhas (275 quilômetros). Nessa altura, não conseguia mais compensar o arrasto e entrou em modo seguro. A equipe de operações da Penn State enviou então um comando que, na prática, encerrou as operações, para preparar a espaçonave para a reentrada.

O que o Swift fez

O Swift foi lançado em 20 de novembro de 2004. Seu trabalho era achar explosões de raios gama, avisar outros observatórios de onde elas estavam e girar os próprios telescópios para registrar o local antes que o brilho residual sumisse. O investigador principal da missão, S. Bradley Cenko, da NASA, diz que isso levava cerca de um minuto.

Uma pessoa com roupa de sala limpa aponta para os instrumentos da espaçonave Swift, envolta em manta dourada, em uma sala limpa
A espaçonave Swift pronta, em uma sala limpa do Goddard da NASA, em 9 de setembro de 2003. À frente, Neil Gehrels, primeiro investigador principal da missão, aponta para os instrumentos. Imagem: NASA

A NASA diz que, em sua carreira, o Swift observou mais de 2.000 explosões de raios gama e mais de 1.400 explosões de supernova. Também viu estrelas serem destruídas por buracos negros, monitorou galáxias ativas, fez um levantamento de raios X de todo o céu e estudou asteroides e cometas. Seus dados contribuíram para cerca de 7.000 artigos científicos publicados.

Um marco veio em maio de 2005. O Swift flagrou o brilho residual de uma explosão de raios gama curta, a GRB 050509B, que durou apenas 0,03 segundo. Ele girou rápido o bastante para detectar 11 fótons de raios X. Essas observações apoiaram a antiga ideia de que as explosões curtas vêm da fusão de duas estrelas de nêutrons.

A máquina de resposta rápida

O sistema de planejamento do Swift permitia que astrônomos pedissem observações de “alvo de oportunidade”, comandadas do solo em poucos minutos, e agendava até 75 alvos independentes por dia. O diretor da Divisão de Astrofísica da NASA, Shawn Domagal-Goldman, chamou o retorno do Swift de “um retorno incrível e duradouro sobre o investimento” e disse que ele fez parte de uma revolução que mostrou como as observações de resposta rápida são essenciais para toda a comunidade.

A missão foi rebatizada em 2018 em homenagem ao seu primeiro investigador principal, Neil Gehrels, depois da morte dele.

O que ele deixa

O arquivo do Swift reúne quase 22 anos de medições de brilho, espectros em várias faixas e mais de 1,5 milhão de imagens do telescópio de ultravioleta e óptico. São cerca de 12 terabytes, que a NASA compara a uns 600 filmes em alta definição, e o material é público. A NASA diz que ele alimentará novas descobertas por décadas.

O que vem agora

O fim do Swift deixa uma lacuna na astronomia de resposta rápida. A NASA diz que continuará buscando novas formas de reagir rápido a eventos cósmicos, usando suas missões atuais enquanto isso. Domagal-Goldman diz que a agência estuda como usar e ampliar a frota de telescópios existentes, de capacidades comerciais de lançamento rápido a novas missões. As páginas que lemos não citam um substituto.

O que não sabemos

A NASA não dá data de reentrada nessas páginas, nem diz onde a espaçonave vai cair, nem trata de risco. Não achamos confirmação independente do fim da missão, já que o anúncio é da própria NASA.

Para outros telescópios e missões espaciais em destaque, veja como o Euclid, da ESA, achou seu primeiro cometa e a sonda japonesa MMX a caminho de Fobos.

CompartilharXWhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *