A Universidade de Utah anunciou um teste de um ano em que um homem usa um braço biônico em casa. Ele controla o braço pelo pensamento, e o braço devolve a ele a sensação de toque. A universidade chama de primeiro teste doméstico do sistema.
É uma história animadora, e inicial. Veja o que o comunicado diz e o que deixa de fora.
O que foi anunciado
O anúncio saiu em uma coletiva de imprensa em 18 de setembro, com um comunicado publicado em 21 de setembro. O braço é o LUKE Arm, batizado em homenagem a Luke Skywalker e baseado em uma prótese da DEKA. A equipe de Utah acrescenta uma interface direta com os nervos, chamada BIOS Controller, que transforma a prótese em uma neuroprótese.
Como o braço funciona
Segundo o comunicado, o usuário controla o braço com o pensamento, por meio dessa interface com os nervos. O braço também devolve a ele a sensação de toque, o que, segundo a universidade, faz a prótese parecer mais com uma mão natural.

O comunicado não detalha a engenharia, então não vamos especular sobre como os sinais são lidos ou enviados. O que ele diz é que o toque vai nos dois sentidos, e esse é o ponto do projeto.
Quem participa
O primeiro participante doméstico é Alexander “Avi” Davidson, de Tampa, na Flórida. Aos 16 anos ele caiu de um poste de telefone de 35 pés, cerca de 10,7 metros. Ficou paralisado da cintura para baixo, e o braço esquerdo foi amputado abaixo do cotovelo. Ele trabalha como terapeuta, fotógrafo e ativista.
Ele é o nono participante da pesquisa em Utah e o primeiro a levar o braço para casa. Nos primeiros dias em casa, diz o comunicado, ele conseguiu escrever, jogar cartas, fazer um sanduíche e segurar a mão da esposa.
O que é o teste
O teste dura um ano, com possibilidade de prorrogação. É um estudo de viabilidade precoce, feito sob uma isenção de dispositivo experimental da agência reguladora americana FDA. Esse tipo de estudo pergunta se o uso no dia a dia é possível e útil, e não se o aparelho está provado.

Em março de 2024 a FDA concedeu à interface neural a designação Breakthrough Devices. A BIOS, sigla de Biologic Input Output Systems, é uma empresa derivada da universidade, que licenciou a tecnologia em 2022. Jacob George, pesquisador de Utah, é o cientista-chefe da empresa. Vale saber dessa proximidade ao ler um comunicado escrito pela própria universidade.
O que não sabemos
- O comunicado fala em resultados amplamente positivos, mas não traz números de desempenho, taxa de sucesso nem dados de segurança.
- Ele não diz quantas pessoas o teste terá, quanto o braço vai custar nem quando alguém fora de um ensaio poderia ter um.
- O relato dos primeiros dias do sr. Davidson vem da universidade e dele próprio. Não achamos reportagem independente que pudéssemos abrir.
É um aparelho de pesquisa em teste. Não é um produto que se compra.
Por que importa
Na nossa leitura: a maioria das próteses de braço dá controle ao usuário, mas pouca sensação. O toque é o que faz o braço parecer parte do corpo, e testá-lo em casa, fora de um laboratório supervisionado, é o passo que mostra se aguenta a vida comum. O teste vai precisar mostrar isso com dados.
Para outra forma de controlar neurônios, veja como a optogenética liga neurônios com luz e, para um corpo robótico bem diferente, o Protoclone, da Clone Robotics.
O que não conseguimos confirmar
Não conseguimos checar os resultados de forma independente e não vimos o braço. Vamos atualizar este artigo se o teste publicar dados.





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