O câncer de pâncreas está entre os mais difíceis de tratar. A NYU Langone afirma que a forma mais comum mata quase 85% dos pacientes em até cinco anos após o diagnóstico. Um novo estudo na revista Nature Genetics aponta um motivo: dentro de um mesmo tumor, as células não são todas iguais e podem alternar entre um estado mais brando e outro mais agressivo.
É um estudo com amostras de tumores e experimentos de laboratório. Ele não mostra um novo tratamento funcionando em pacientes.
O que o estudo achou
Os pesquisadores, da NYU Langone Health com colegas da Oregon Health and Science University e da Universidade da Califórnia em San Diego, publicaram o trabalho online em 13 de outubro. A autora principal é Despoina Kalfakakou, e os autores seniores são Aristotelis Tsirigos e Diane Simeone. Eles examinaram a atividade dos genes em 443.451 células individuais de 62 tumores de 56 pessoas com adenocarcinoma ductal de pâncreas, a forma mais comum da doença.

Seis pacientes deram amostras antes e depois da quimioterapia, o que permitiu comparar o tumor da mesma pessoa em dois momentos.
Células que mudam de estado
Estudos anteriores dividiam esse câncer em dois tipos amplos. O clássico é menos agressivo, e o basal é mais agressivo. O que esses estudos não explicavam era como as células passam de um para o outro.
Os novos dados sugerem que isso acontece por meio de clones, grupos de células cancerosas que compartilham as mesmas alterações genéticas. Em média, cada tumor tinha entre dois e 11 clones de células basais e clássicas. Alguns clones evoluíram para resistir ao tratamento. Outros ganharam a capacidade de se espalhar rapidamente. Os autores ligam o rearranjo genético dentro do tumor a essas mudanças.
Um cuidado do comunicado: as relações entre os clones foram inferidas a partir da atividade dos genes, e não medidas diretamente.
Dois genes em foco
| Gene | O que a equipe viu | Quão firme é |
|---|---|---|
| MYC | Mais ativo nas populações de células agressivas | Visto nas amostras |
| TIGIT | Mais ativo em alguns clones, onde ajuda as células a escapar do sistema imune | Visto nas amostras |
| PD-1 | Menos ativo nessas mesmas células | Os autores dizem que pode explicar por que as imunoterapias anti-PD-1 raramente funcionam aqui |
O que ainda é só laboratório
Em experimentos, bloquear o MYC em células basais as empurrou de volta para o estado clássico, menos agressivo, e as deixou mais expostas às células imunes. O comunicado não diz qual modelo de laboratório foi usado, e o efeito não foi demonstrado em pacientes.

O Dr. Tsirigos diz que há ensaios com inibidores de MYC e de TIGIT em andamento, em câncer de pâncreas e em outros tipos. Este estudo não mostra que esses remédios funcionam contra o câncer de pâncreas. As amostras pareadas de antes e depois vêm de apenas seis pessoas, então as conclusões sobre a quimioterapia se apoiam num grupo pequeno.
O trabalho foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e pela Sky Foundation.
O que isso significa
Nossa leitura: o estudo dá aos pesquisadores um mapa mais detalhado de por que um mesmo tumor pode ter células que respondem de forma diferente ao mesmo tratamento. É um motivo para estudar tratamentos voltados ao estado da célula, e não só ao tumor médio. Não é orientação para pacientes, e quem convive com câncer de pâncreas deve conversar com a equipe de saúde sobre as opções.
Para outro estudo recente de saúde que acha uma ligação, mas não prova causa, veja um estudo de sete anos sobre Parkinson que acha uma ligação, mas não prova causa.
O que não conseguimos confirmar
Não abrimos o artigo na Nature Genetics, então os números vêm do comunicado da NYU Langone. Não conseguimos checar qual modelo os experimentos com MYC usaram nem quantas células vieram de cada paciente. Não achamos reações de pesquisadores de fora da equipe.





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