Uma nova análise de material do asteroide Bennu sugere que ele é um híbrido: um corpo que se formou onde a poeira do Sistema Solar interno e a do externo se misturaram. Os pesquisadores propõem ainda que o jovem Júpiter ajudou a tornar essa mistura possível.
O estudo, liderado pela equipe de Maria Schönbächler, na ETH Zürich, saiu na revista Science Advances e foi divulgado pela universidade em 24 de setembro. A cobertura voltou a circular em 24 de outubro, então não é uma notícia recém-saída, mas é um bom momento para separar o que as amostras mostram do que ainda é proposta.
As amostras
A missão OSIRIS-REx, da NASA, coletou material de Bennu e o trouxe de volta em 2023. A cápsula pousou no deserto de Utah em 23 de setembro daquele ano, com cerca de 120 gramas. Meio grama foi para o laboratório de Schönbächler, na ETH Zürich, uma universidade suíça.

O que os pesquisadores mediram
A equipe mediu isótopos de ferro, titânio e cromo. Isótopos são formas de um elemento com números diferentes de nêutrons, e suas proporções funcionam como uma impressão digital química que pode mostrar onde o material se formou.

O que a impressão digital mostra
Ferro e titânio estão espalhados de forma bastante uniforme no material de Bennu. O achado mais importante é que a impressão digital de Bennu é próxima da do asteroide Ryugu, que a missão japonesa Hayabusa2 amostrou, e da dos meteoritos CI. São meteoritos raros, ricos em carbono, que mudaram muito pouco desde que se formaram. Os três parecem vir do mesmo reservatório de poeira cósmica antiga e diferem bastante de outros asteroides, grupos de meteoritos e planetas conhecidos.
Um híbrido, perto da linha de gelo
O cenário mais provável dos pesquisadores é que Bennu, Ryugu e o material do tipo CI se reuniram perto da linha de gelo da água, há cerca de 4,5 bilhões de anos. É a distância do Sol em que está frio o bastante para o vapor de água congelar. Ali, a poeira do Sistema Solar interno e a do externo se misturaram, e o gelo ajudou as partículas mais finas a se unir.
Schönbächler descreve Bennu como um híbrido que não combina nitidamente nem com o Sistema Solar interno nem com o externo. Segundo outra reportagem, da Universe Today, os isótopos de ferro lembram asteroides que se formaram mais perto do Sol, o que combina com a ideia de mistura.
Onde entra Júpiter
O estudo propõe que Júpiter, que se formou em cerca de um milhão de anos depois do nascimento do Sol e cresceu rápido, funcionou como uma barreira. Sua gravidade teria bloqueado a maior parte das partículas maiores de cruzar sua órbita e deixado a poeira fina passar, de modo que ela se misturasse perto da linha de gelo. O gelo evaporando e voltando a condensar pode ter concentrado água ali.
Isso é um cenário, não um resultado. Os pesquisadores dizem que ainda precisam testá-lo e que não está claro quanto o jovem Júpiter contribuiu para a aglomeração da poeira fina.
O que não está estabelecido
Os achados não mostram como esses materiais chegaram à Terra, e os pesquisadores não sabem se outros asteroides compartilham a impressão isotópica de Bennu. Também precisam de mais amostras para testar o modelo. Este trabalho se apoia em meio grama de material.
Por que importa
Bennu é rico em água e em material orgânico, o que pode ajudar a explicar como a Terra jovem obteve alguns dos ingredientes da vida. Entender de onde vêm esses asteroides também ajuda os cientistas a imaginar como era o Sistema Solar primitivo.
Schönbächler pretende pedir amostras da missão japonesa a Fobos, que o ScienceDaily diz que a JAXA planeja lançar no fim de outubro de 2026, com a cápsula de volta em 2031. Já falamos dessa missão na reportagem sobre a sonda japonesa MMX e do fim do observatório Swift, da NASA.





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