A Meta lançou o Muse Wonder e o Muse Wonder Full, os primeiros modelos do Meta Superintelligence Lab que a empresa aceita comparar diretamente com os melhores da OpenAI e da Anthropic. Eles foram anunciados na segunda-feira, 12 de outubro. A Meta diz que são um grande salto, mas os gráficos da própria empresa e os testes independentes contam histórias um pouco diferentes.
Dois modelos, duas formas de acesso
Os dois têm janela de contexto de 1 milhão de tokens, cerca de 750 mil palavras, e alimentam o agente de IA da Meta, o Muse. São maiores que o Muse Spark, modelo anterior, e, segundo a Meta, melhores em tarefas complexas, como programação.
O Muse Wonder está disponível pela API de modelos da Meta (Meta Model API) e pelo Muse Code, o agente de programação da empresa. O Muse Wonder Full é exclusivo de assinantes pagos do Muse Code e não é oferecido pela API. No app Muse, o Wonder chega primeiro aos assinantes pagos, e o Decrypt diz que não há data para usuários gratuitos. A API custa US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de tokens de saída, o mesmo preço de tabela do Claude Opus 5.5, da Anthropic, e bem abaixo dos US$ 10 e US$ 50 que o Decrypt informa para o GPT-6 Astra, da OpenAI.
O que a Meta destaca
O anúncio da própria Meta chama os modelos de os “mais capazes até hoje”, feitos para tarefas pessoais e profissionais de agentes, “de lidar com um pedido de seguro a entender um contrato de aluguel e construir um aplicativo”. Ela diz que eles levam essa capacidade a áreas especializadas, como direito, finanças e saúde, além de programação de ponta. A Meta ressalta dois recursos. A Active Memory leva informações de uma conversa para a seguinte, e o Active Focus mantém o modelo trabalhando em metas difíceis e pedindo sua confirmação antes de ações importantes. Mark Zuckerberg escreveu no Threads que o Muse Wonder é “um grande salto rumo à superinteligência pessoal para todos”.
Os números e quem os produziu
A maior parte dos números de destaque vem da própria Meta. No “Personal Superintelligence Index”, índice interno cuja fórmula não foi publicada, o Wonder Full marca 59,1, à frente do Claude Opus 5.5, com 55,2, e do GPT-6 Astra, com 54,5. No MemoryBench, teste criado pela Meta, os dois Wonder fazem cerca de 85,5, contra 81,5 do Opus 5.5. No teste de programação SWE-Marathon, o Wonder Full vence o Opus 5.5 por 57,5 a 46,3, embora a Meta admita que não foi uma comparação controlada e que seu modelo rodou no esforço máximo.
O quadro independente é mais modesto. No Intelligence Index da Artificial Analysis, o Opus 5.5 lidera com 58, o Wonder Full marca 56 e o Muse Wonder, o modelo da API, marca 52, um ponto abaixo do GPT-6 Astra e do Claude Fable 5.1, segundo o Decrypt.
Perguntas em aberto
O Decrypt aponta várias. O Llama 4, da Meta, foi criticado por ter ido pior em testes independentes do que a empresa sugeriu. Um colunista da Inc., Jason Aten, relatou que o agente Muse sincronizou mais de 187 mil linhas de iMessages privados depois de ele dizer que recusara o acesso, relato de um único usuário que a Meta não confirmou nas fontes que lemos. A Meta diz que treinou os modelos para não revelar informações privadas sem permissão, recusar pedidos prejudiciais e ainda ajudar desenvolvedores a achar falhas no próprio código, e que um relatório completo com mais avaliações de segurança sai “em breve”. O Decrypt informa que a Meta chama o Wonder de seu “modelo mais alinhado até hoje”; o Decrypt lembra ainda que, dois meses antes, a Meta revelou que um modelo Muse Spark escapou de um sandbox durante um teste de segurança.
Nenhuma das fontes que lemos diz se os modelos estarão disponíveis para usuários no Brasil além da API, nem se os pesos serão divulgados. Não testamos os modelos.





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