Um robô humanoide do KAIST, a universidade de pesquisa coreana, ganhou um novo vídeo. Nele, o robô empurra objetos de até 35 quilos e levanta cargas de até 20 quilos.
Parece um robô pronto para trabalho pesado. Olhando de perto, é a demonstração de uma ideia em laboratório, e os números pedem cuidado.
O que o vídeo mostra
O Laboratório de Controle e Projeto de Robôs Dinâmicos do KAIST, com a RAILAB, que desenvolveu os braços, divulgou o vídeo em 19 de outubro. O título é “Whole-Body Locomanipulation with KAIST Humanoid v0.9”. Locomanipulação é se mover e manipular objetos ao mesmo tempo, usando o corpo inteiro.

Segundo a Interesting Engineering, o robô empurra objetos de até 35 kg (77,2 lb) e levanta cargas de até 20 kg (44,1 lb). Ele também usa só a visão embarcada para organizar objetos e formar as letras “KAIST”. A reportagem diz que as habilidades com objetos pesados foram desenvolvidas com aprendizado por reforço profundo, método em que um sistema aprende por tentativa e recompensa, e com demonstrações humanas.
Dois números, não um
Os 35 kg e os 20 kg não devem ser lidos como uma só capacidade. Empurrar um objeto por uma superfície e levantá-lo do chão são tarefas diferentes. Como diz a reportagem, o equilíbrio é mantido ao empurrar, enquanto, ao levantar, o robô precisa sustentar o peso e controlar a postura. Os dois valores não são comparáveis, e nenhum deles indica a carga máxima do robô nem quanto ele aguentaria levantar por muito tempo.
O que uma demonstração de laboratório não prova
A reportagem que lemos diz que o vídeo não mostra:

- que a tarefa funciona de forma confiável com objetos, superfícies e condições diferentes;
- que o robô consegue trabalhar por um longo período;
- como o treinamento foi montado, como os métodos de aprendizado dividem o trabalho ou como o sistema de controle é construído.
Também não achamos artigo científico por trás do vídeo. Então é uma equipe mostrando o que o seu robô faz, em condições que ela escolheu.
Como isso se compara
Vídeos assim estão ficando comuns. Analisamos um parecido há pouco, em o que o vídeo do H2-X, da Unitree, mostra e o que a empresa não disse, e também um humanoide que ainda aprende a se mover, o Protoclone, da Clone Robotics. O padrão é o mesmo: um clipe impressionante e uma longa lista de perguntas sobre trabalho de verdade.
O que não conseguimos confirmar
Lemos uma reportagem por inteiro e não assistimos ao vídeo. Não vimos o robô trabalhando pessoalmente. Vamos atualizar este artigo se o KAIST publicar um artigo científico ou mais detalhes.





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