Dev usou o Claude para criar clones gratuitos da Adobe e do Office: o que é real e o que é exagero

Brandon Thomas diz ter criado, com o Claude, clones gratuitos e de código aberto de apps da Adobe e do Microsoft Office. O que existe, quão pronto está, as dúvidas jurídicas e o que um vídeo viral exagera.

Ctrl+Alt IA 5 min
Uma esfera ciano brilhante montando uma janela de software translúcida com painéis flutuantes, com uma janela espelhada mais fraca ao fundo

Um vídeo que viralizou diz que uma pessoa usou IA para clonar o pacote inteiro da Adobe e que ele está de graça para qualquer um baixar. Uma parte disso é verdade. Outra parte é exagero.

Um aviso antes: o desenvolvedor diz que construiu o software com o Claude, da Anthropic, e o Ctrl + Alt News também usa o Claude como assistente editorial. Mantivemos este texto no que as reportagens dizem e no que não conseguimos confirmar.

O que existe

O desenvolvedor é Brandon Thomas, engenheiro que diz ter 15 anos de experiência e cerca de uma década de Rust. Ele está criando o Artcraft, um conjunto de substitutos gratuitos e de código aberto para sete aplicativos da Adobe, escritos em Rust. A TechSpot os lista como Photocraft (Photoshop), Vectorcraft (Illustrator), Filmcraft (Premiere), Lightcraft (Lightroom), Effectcraft (After Effects), Designcraft (InDesign) e Printcraft (Acrobat Pro).

Ele diz que usou o Claude Opus 5.5 para construí-los. O código pode ser baixado, alterado e receber contribuições, e ele diz que um negócio separado de venda de tokens de IA ajudará a pagar o trabalho.

O que o README do próprio projeto diz

O PhotoCraft, o clone do Photoshop, está no GitHub. O README o descreve como uma reimplementação “clean room” do Photoshop em Rust puro, feita “a partir de especificações públicas e do comportamento observado”, sem código nem ativos proprietários. Ele tem o status “early alpha” (alfa inicial) e diz que ainda “não é um substituto do Photoshop para o trabalho profissional diário”. Também diz que não tem vínculo, patrocínio nem aval da Adobe, e que a licença é dupla, MIT ou Apache-2.0. A página mostra cerca de 72.400 estrelas, sem a data dessa contagem. Ela não menciona o Claude.

O editor de fotos PhotoCraft aberto sobre A Grande Onda, de Hokusai, com camadas de curvas, vibração e legenda nos painéis
O PhotoCraft, o clone do Photoshop, editando A Grande Onda, de Hokusai (domínio público), em uma captura do README do projeto. Imagem: ArtCraft Team e colaboradores do PhotoCraft (MIT ou Apache-2.0)

A continuação com o Office

Thomas lançou depois três apps que imitam o Microsoft Office, segundo a TechSpot: o WordCraft (Word), o GridCraft (Excel) e o DeckCraft (PowerPoint). Eles leem e salvam os arquivos .docx, .xlsx e .pptx de sempre. O WordCraft roda no Windows, macOS, Linux e BSD, e também no navegador, a partir de uma única base de código em Rust. A licença é MIT ou Apache 2.0.

Os números de completude são do próprio desenvolvedor. Ele diz que o WordCraft cobre cerca de 88% dos comandos da faixa de opções do Word, o GridCraft cerca de 89% dos comandos do Excel e 98% de suas funções de planilha, e o DeckCraft 79% de 191 recursos do PowerPoint. No geral, ele estima cerca de 60% de paridade, com o GridCraft cerca de 50% “pronto para trabalho real” e o DeckCraft cerca de 55%.

Está pronto?

Não muito. A TechSpot diz que os apps do Office estão em alfa e ainda em “um estágio relativamente inicial”. Os primeiros usuários dos clones da Adobe relataram problemas com funções básicas. A Vice, que repassou testes de outras pessoas em vez de fazer os seus, diz que as ferramentas “parecem de fato com as da Adobe”, mas são “incrivelmente instáveis”. O próprio Thomas primeiro disse que chegaria a 100% de paridade em um mês, e depois disse no Hacker News que 99% levaria meses.

O editor de fotos PhotoCraft mostrando camadas Levels e Vibrance e um painel de histograma sobre Impressão, Nascer do Sol, de Monet
As camadas Levels e Vibrance do PhotoCraft, com o painel de histograma, aplicadas a Impressão, Nascer do Sol, de Monet (domínio público). O projeto se descreve como alfa inicial. Imagem: ArtCraft Team e colaboradores do PhotoCraft (MIT ou Apache-2.0)

A alegação de “clean room” e as dúvidas jurídicas

Thomas descreve o trabalho como uma reescrita “clean room”: feita a partir de especificações públicas de formatos de arquivo e do comportamento observado, sem copiar o código da Adobe. Essa é a posição dele, não uma conclusão jurídica. A Vice chama o software de “legalmente duvidoso” e especula que os advogados da Adobe possam agir.

Não achamos declaração da Adobe nem da Microsoft, e nenhum relato de ação judicial. Não temos parecer jurídico, então não podemos dizer se copiar interface ou atalhos é permitido.

Por que ele fez isso

Thomas diz que as tarifas de cancelamento da Adobe fizeram parte da motivação. Em junho de 2024, o governo dos EUA processou a Adobe por tarifas de cancelamento antecipado supostamente escondidas. Em março de 2026, a Adobe fechou um acordo de US$ 150 milhões, sendo US$ 75 milhões em multas e US$ 75 milhões em serviços gratuitos, negando irregularidade, segundo a TechSpot.

O que o vídeo viral exagera

O vídeo diz que uma única pessoa “clonou” o pacote inteiro. O que as reportagens sustentam é mais estreito:

  • Um desenvolvedor, com um modelo de IA, publicou código gratuito de aplicativos que imitam os da Adobe e da Microsoft. Isso é verdade.
  • São programas em alfa, com falhas, e os números de completude vêm do desenvolvedor. “Clonou” é exagero.
  • O vídeo diz que os advogados das empresas devem estar desesperados. Não achamos reação de nenhuma das duas.
  • O preço de “quase 400 reais por mês” e os “bilhões” gastos não são números que conseguimos verificar.

O que acompanhar

As perguntas são práticas. Os apps abrem seus arquivos reais sem perder gráficos e layouts? Continuam sendo mantidos? A Adobe ou a Microsoft vão reagir? Por ora, trate-os como projetos para acompanhar, não como substitutos do que você usa no trabalho, e não instale software que você não conferiu. Para mais sobre agentes de IA fazendo trabalho longo e autônomo, veja nossa reportagem sobre os agentes Gemini 4 que zeraram o Minecraft e sobre o Claude Duet, da Anthropic.

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