A Clone Robotics, uma startup fundada em 2021, diz ter construído um androide que se move com cerca de 1.000 músculos artificiais em vez de motores elétricos. Ele se chama Protoclone V1, e vídeos dele se contorcendo pendurado num quadro foram compartilhados milhões de vezes.
O que de fato se sabe é mais limitado do que os vídeos sugerem. Veja o que a empresa afirma, o que já foi mostrado em público e o que não conseguimos confirmar.
A empresa
A Clone Robotics foi fundada em 2021 por Dhanush Radhakrishnan, o CEO, e Łukasz Koźlik, o CTO. A heise online a chama de startup polonesa. Outra análise a descreve como uma empresa dos EUA com raízes de engenharia na Polônia e um escritório em Mountain View, na Califórnia.
Radhakrishnan é citado pela Futura-Sciences dizendo: “We’re not building tools, we’re building bodies” (não estamos construindo ferramentas, estamos construindo corpos).
Como o Protoclone deveria funcionar
O Protoclone V1 foi mostrado em fevereiro de 2025 como um “androide de corpo inteiro”. Em vez de motores elétricos em cada junta, ele usa o que a Clone chama de músculos Myofiber: tubos de malha pressurizados que se contraem quando são enchidos com fluido.
O esqueleto é de ossos de polímero impressos em 3D, modelados na anatomia humana, e a empresa diz que ele copia todos os 206 ossos humanos. O corpo tem mais de 200 graus de liberdade, contra cerca de 50 nas articulações dos humanoides de hoje, segundo a heise. Um sistema de refrigeração à base de água, que a imprensa chamou de “suor”, leva o calor embora por canais no quadro.

O robô não tem rosto, só uma viseira preta, que segundo seus criadores evita o efeito do “vale da estranheza”.
Hoje ele funciona com ar, não com água
O Protoclone é, no momento, pneumático, ou seja, movido a ar comprimido. O plano é migrar para um sistema hidráulico fechado que faz circular água, com uma bomba de 500 W descrita pela Futura-Sciences, mas isso é um roteiro, não algo que já exista.
A R&D World informa que a empresa admite que atuadores pneumáticos podem demorar a reagir quando o robô precisa corrigir o equilíbrio rapidamente, e que versões hidráulicas devem permitir demonstrações mais autônomas.
O que ele ainda não faz
Ele não anda. Nas demonstrações, fica pendurado num quadro, e uma análise de julho de 2026 diz que todos os vídeos públicos que examinou mostram o robô suspenso num pórtico, sem imagens dele de pé ou andando. A heise questiona se o projeto consegue um dia sustentar a caminhada, já que o esqueleto precisaria de músculos muito fortes para carregar o peso total.

Um criador independente filmou o Protoclone no laboratório da Clone em setembro de 2025, então o hardware existe. Essa visita não confirma as especificações da empresa.
Números que não batem
A maioria dos números é da própria empresa. A heise fala em mais de 200 sensores inerciais e de pressão, enquanto a Futura-Sciences e outras análises repetem o número da empresa, de cerca de 500. A Futura-Sciences lista alegações de cerca de 3 g por Myofiber, tempo de resposta abaixo de 50 milissegundos e até 1 kg de força cada, e nenhuma foi testada de forma independente.
Uma análise lembra que o número de “1.000 músculos” conta fios de fibra, não músculos no sentido humano.
O produto: Clone Alpha
O produto planejado é o Clone Alpha, uma série limitada de 279 unidades, com pré-venda prometida para 2025 e sem preço. A página de pré-venda afirmava que ele poderia aspirar, fazer sanduíches e lavar roupa.
Em 23 de julho de 2026, uma análise concluiu que o Clone Alpha não podia ser encomendado, que nenhum preço tinha sido publicado e que a página de pré-venda ainda dizia “Pre-orders available in 2025”, sem mudança desde dezembro de 2024. Não achou evidência pública de que alguma unidade tenha sido entregue. A Futura-Sciences diz que o Alpha entra em produção limitada, então os relatos divergem. Os US$ 20.000 muito citados são a meta da própria empresa, não um preço. O site da Clone, que abrimos, não cita o Protoclone e não traz especificações nem preço.
Uma campanha de investimento na plataforma de financiamento coletivo Republic foi retirada e reembolsada, segundo essa análise. Os valores captados também variam entre as reportagens, de US$ 640 mil a cerca de US$ 17 milhões, com uma rodada de US$ 50 milhões que estaria em andamento, sem confirmação.
O que acompanhar
Segundo falas do fundador em março de 2026, citadas na análise de julho, a Clone planeja um torso mais preciso até o fim de 2026, uma demonstração de caminhada natural em 2027 e um primeiro androide comercial em 2028. São metas.
O teste é simples: um robô que fica de pé e anda sem o quadro, mostrado em vídeo e conferido por alguém de fora da empresa. Até lá, o Protoclone é um protótipo que chama atenção. Para outras tentativas de dar ao robô um corpo humano, veja nossa reportagem sobre a Daimon Robotics e os robôs que sentem e, para a robótica que já tem dinheiro de verdade investido, o investimento da Stryker na CMR Surgical.





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