O rover Perseverance, da NASA, andou mais do que qualquer outro rover em Marte. Em 11 de outubro, uma pequena viagem levou o odômetro dele a cerca de 45,22 km (28,10 milhas), passando os 45,16 km (28,06 milhas) do Opportunity, segundo o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA.
O recorde também é uma história sobre autonomia. A maior parte da direção do Perseverance foi feita pelo próprio rover, com um sistema chamado AutoNav. Veja como ele funciona e o que as pessoas ainda decidem.
O recorde em números
O Opportunity, que pousou em Marte em janeiro de 2004, levou quase 15 anos para percorrer a sua distância. O Perseverance, que pousou em 18 de fevereiro de 2021 levando o helicóptero Ingenuity, fez isso em cerca de cinco, segundo a IEEE Spectrum. O JPL fala em cerca de cinco anos e meio. A IEEE Spectrum informa que a última viagem, a que garantiu o recorde, foi de cerca de 91 m.
A missão original nunca foi pensada para andar tanto. “The original mission called for no more than 12.4 miles of driving” (a missão original previa no máximo 12,4 milhas de percurso), disse Steven Lee, gerente de projeto dos rovers Curiosity e Perseverance. A NASA aprovou uma extensão da missão que começou em outubro de 2026 e vai até cerca do fim de 2028.
Para onde ele vai
O Perseverance segue em direção a uma área chamada Idubi, numa região batizada de Lac de Charmes, na borda oeste da cratera Jezero. Os cientistas esperam encontrar ali sinais de sistemas hidrotermais antigos, segundo o JPL.
Como o AutoNav dirige o rover
O AutoNav permite que o rover fotografe o terreno enquanto se move, monte um mapa 3D de perigos e planeje o próprio caminho entre pontos definidos por planejadores na Terra. A equipe chama isso de “pensar enquanto dirige”. O Perseverance consegue percorrer até 412 m em um único dia marciano.
O JPL diz que mais de 90% da distância total do rover foi feita com o AutoNav, contra cerca de 5% do primeiro sistema AutoNav, no Opportunity. A IEEE Spectrum fala em cerca de 90% do tempo dirigindo sozinho, a maior taxa entre os rovers de Marte, e observa que o Spirit dirigia sozinho 23% do tempo.
| Rover | Quanto escolheu o próprio caminho |
|---|---|
| Opportunity | Cerca de 5% |
| Spirit | 23% (IEEE Spectrum) |
| Perseverance | Cerca de 90% da distância |
O rover também ficou bem melhor em observar. O Sojourner, o rover de 1997, avaliava o caminho com 20 pontos de medição. O Perseverance processa 600 mil a cada olhada, diz o JPL. A IEEE Spectrum acrescenta que o AutoNav pode dirigir a até 120 m por hora e que o rover tem um segundo processador para dar conta do processamento extra de imagens.
Por que humanos ainda planejam a rota
Dirigir sozinho não quer dizer sem supervisão. A equipe de ciência define os destinos, e equipes separadas planejam as rotas. A IEEE Spectrum informa que humanos acrescentam avisos de localização, como evitar áreas de ondulações de areia, porque a autonomia de bordo mede o formato do terreno, mas não do que ele é feito. As imagens de órbita chegam a cerca de 25 cm de resolução, o que ainda não mostra todos os obstáculos.
Mark Maimone, engenheiro de robótica do JPL que projetou o software de direção autônoma do Spirit, do Opportunity, do Curiosity e do Perseverance, disse à IEEE Spectrum que o software foi testado com milhões de simulações e muito trabalho de campo. “It hasn’t steered us wrong yet” (até agora ele não nos desviou do caminho), afirmou. O JPL cita a fala dele: “Perseverance is a better driver than the one that landed, and we’re not done” (o Perseverance dirige melhor que o rover que pousou, e ainda não terminamos).
Um rover que continuou aprendendo
A IEEE Spectrum diz que o limite de inclinação do rover subiu de menos de 14 graus nos três primeiros anos para até 24 graus. Uma viagem em 10 de dezembro de 2025 cobriu 246 m em 2 horas e 35 minutos, usando 53 pares de imagens das câmeras de navegação. O rover também passou cerca de dois meses dirigindo sem autonomia em terreno complexo, enquanto o software era reajustado. Um recurso chamado Mars Global Localization permite que ele calcule a própria posição com mais precisão, o que poderia permitir trechos autônomos mais longos.
A mesma entrevista menciona que, no fim do ano passado, uma IA, o Claude, da Anthropic, planejou um trecho de 400 m a partir de imagens de órbita, com humanos revisando e fazendo alguns ajustes. Esse detalhe vem só da IEEE Spectrum, e o comunicado do JPL não o menciona.
O que isso significa
O recorde do Perseverance lembra que robôs conseguem fazer boa parte da direção em outro mundo. A equipe ainda define os objetivos e confere o trabalho. Vamos atualizar este texto se o JPL e a IEEE Spectrum trouxerem números diferentes para o recorde.





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